Estudo liga excesso de peso ao contato frequente com produtos de limpeza



O crescimento acelerado das taxas de obesidade infantil nas últimas décadas tem tomado proporções preocupantes em todo o mundo.

Atualmente, a obesidade infantil atinge dez vezes mais crianças e adolescentes do que na década de 1970.

Isso significa que a quantidade de indivíduos entre 5 e 19 anos que estão acima do peso saltou de 11 milhões naquela época para 124 milhões.

Os dados são fruto do estudo realizado pelo Imperial College de Londres e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado na revista The Lancet.

Nessas quatro décadas, o índice de obesos cresceu de 0,7% para 5,6% entre meninas, e de 0,9% para 7,8% entre meninos.

Hoje, no Brasil, 9,4% das meninas e 12,7% dos meninos estão obesos.

E foram esses números alarmantes que impulsionaram a realização de um novo estudo sobre o tema intitulado: “Exposição pós-natal a desinfetantes domésticos, microbiota intestinal infantil e subsequente risco de excesso de peso em crianças”, publicado no Canadian Medical Association Journal.

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As descobertas da pesquisa são ainda mais surpreendentes: os cientistas do Canadá sugerem que os produtos de limpeza doméstica podem estar afetando as bactérias intestinais e provocando ganho acentuado de peso em bebês.

Curioso, não?

A equipe de pesquisa examinou quase 800 crianças da população em geral.

A flora intestinal dos bebês que mamavam no peito foi analisada na idade de 3-4 meses, enquanto o seu peso foi medido nas idades de 1 e 3 anos.

A equipe também analisou a exposição a desinfetantes, detergentes e outros produtos de limpeza usados ​​nas casas dos bebês.


“Descobrimos que bebês que vivem em lares com desinfetantes sendo usados ​​pelo menos uma vez por semana eram duas vezes mais propensos a ter níveis mais altos dos micróbios intestinais Lachnospiraceae aos 3-4 meses de idade”, disse Anita Kozyrskyj, professora de pediatria da Universidade de Alberta.


A presença de Lachnospiraceae no intestino é considerada normal.

Mas, quando presentes em níveis elevados, essas bactérias têm sido associadas a maior taxa de gordura corporal e resistência à insulina.

A associação também foi encontrada no novo estudo, já que os bebês que tinham níveis mais elevados de Lachnospiraceae também tinham um índice de massa corporal (IMC) maior aos 3 anos de idade.

Mas atenção!

As crianças criadas em lares usando principalmente produtos de limpeza ecologicamente corretos tinham menor probabilidade de estar acima do peso até os 3 anos de idade.

Como se suspeitava, seus intestinos também revelavam uma diferença, pois tinham níveis muito mais baixos da bactéria Enterobacteriaceae.

No entanto, não ficou claro se essas alterações no microbioma intestinal reduziram diretamente o risco de obesidade.

Ainda que sejam necessárias mais pesquisas antes que uma forte recomendação seja apresentada, essas descobertas parecem apoiar o uso de produtos de limpeza ecologicamente corretos.

Kozyrskyj disse que bons padrões alimentares e um estilo de vida saudável geral da mãe podem ajudar a garantir um IMC mais saudável e a composição correta dos microbiomas intestinais em bebês.

Ela explica: “Cada um de nós possui uma microbiota intestinal única, mas existem padrões comuns, micróbios comuns que devem ser encontrados na infância e na idade adulta. Eu diria que por volta dos 3 anos de idade temos uma composição bacteriana que podemos chamar de nossa. E isso permanece conosco pelo resto da nossa vida”.

Outros estudos exploraram os efeitos desses “obesogênicos” em populações adultas também.

No início deste ano, pesquisadores da Espanha apresentaram uma pesquisa que esclarece como produtos cotidianos como plásticos e pesticidas podem desempenhar um papel no risco de obesidade.

Uma de suas sete recomendações foi reduzir o uso de produtos de limpeza contendo obesógenos ou optar por produtos ecologicamente corretos.

Vale a mudança de hábitos, com certeza!

Este blog de notícias sobre tratamentos naturais não substitui um especialista. Consulte sempre seu médico.


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